
Nem sempre o problema está naquilo que é dito, mas sim na forma como é transmitida a mensagem. Às vezes uma boa intenção ou mesmo a própria razão deixa de ser relevante se não controlamos nossa impulsividade em despejar, sobre quem quer que seja, nossas verdades e anseios, preocupações ou reclamações.
Penso que a melhor estratégia seja a capacidade de empatia, ou seja, de se colocar no lugar do outro. Nem sempre as outras pessoas fazem algo só para nos irritar ou contrariar. Se partirmos do pressuposto de que todos os “homens” são ruins (nesse caso a palavra homem está generalizando os homens e as mulheres, sejam eles quais forem), nossas atitudes serão de defesa diante dessa situação e na maioria das vezes a melhor defesa é o ataque. Seremos agressivos, exigentes, opressores, essa nossa atitude vai depender apenas de nossa posição e condição diante do indivíduo com o qual interagimos. Da mesma forma, se partirmos do pressuposto que todos os homens são bons, nossas atitudes tenderão à benevolência.
O grande desafio é o meio termo, ou melhor, a empatia. Será que naquela determinada situação não seria melhor agir assim, ou assado, como eu gostaria de ser tratado? Como eu gostaria de ser avaliado ou julgado?
Bom senso aliado a um pouco de talento para relações humanas é a receita do sucesso. Eu procuro agir sempre assim, embora não consiga sempre, mas de uma forma geral, entendo que as pessoas devem ser tratadas de forma diferente. Já que somos pessoas diferentes, merecemos tratamentos diferentes. Quem merece ser tratado com mais liberdade ou flexibilidade, que seja assim tratado, já quem por ventura exigir de nós um pouco mais de firmeza, que assim seja tratado.
Indiferente da estratégia ou mensagem escolhida para a comunicação, o mais importante a meu ver é o talento de saber como transmiti-la. Lembro de uma estória que ouvi faz algum tempo, de dois sábios que receberam a missão de interpretar o sonho de um rei. O primeiro, após ouvir a narração do rei, dispara sem hesitação que toda sua família morreria, irado, o rei o condenou à morte. Já o segundo, mesmo sem saber o destino de seu antecessor, disse ao rei que ele era um homem abençoado e que viveria, com certeza, mais tempo do que os seus.
Os dois disseram a mesma coisa, mas o segundo teve a sensibilidade de transmitir a mensagem de uma forma mais eufêmica. Essa talvez seja a maior qualidade de um bom gestor.








