quarta-feira, 8 de julho de 2009
Lobos em pele de cordeiros.
Lobos em pele de cordeiros, infames e mentirosos que não se afligem em disfarçar suas reais aflições e aspirações por detrás de belos sorrisos. Egoístas e ambiciosos que só vêem seu próprio mundinho, que só cuidam do próprio umbigo.
Entristece-me o fato de que nem sempre pode-se fazer frente a esses indivíduos. O que quero dizer é que nem sempre podemos lutar todas as batalhas, mesmo que elas nos pareçam justas. Por vezes, lutar contra o sistema não é a melhor escolha. Usá-lo em favor dos fracos e oprimidos parece-me uma idéia melhor do que levantar uma bandeira e partir para o ataque.
Sou romântico o suficiente para acreditar que o bem sempre vencerá o mal. Assim, no final, quando for a hora certa, as coisas certas acontecerão.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Até quando?

Acompanho de perto o desenrolar da mais nova crise política brasileira, a crise do Senado. Infelizmente, mais uma vez nossos congressistas vêm demonstrando que não há limite para as farras feitas com o dinheiro público.
É cada vez mais claro para todos que, seja por omissão ou participação, não há inocentes nessa história.
Talvez o que seja mais triste para mim é novamente a postura que o governo brasileiro toma diante desses fatos lastimáveis. O partido do nosso presidente vem se enrolando mais uma vez. Em nome da governabilidade (palavras do líder do governo no Senado, o ilustríssimo Senador Mercadante) o PT e a base aliada compactua com os mandos e desmandos de Sarney e de sua trupe. Lula é o PT, ele sabe, orienta e apóia os atos dessa base governista, só não vê quem não quer!
Como pode? Aliás, como podemos nos calar diante de tamanho desrespeito com o erário e com os bens públicos! Eu me sinto constrangido por ser enganado e explorado por políticos corruptos que, com seus atos secretos ou não, vêm privatizando o que é nosso, o que pertence a todos nós brasileiros.
É nosso dinheiro que está sendo desviado, são os impostos que pagamos com tanta dificuldade. É o fruto de nosso suor que é sumariamente desviado para custear os mordomos, parentes, viagens, entre tantos outros absurdos.
Meu constrangimento pode ser explicado pela forma com a qual o povo brasileiro tem sido ludibriado e explorado. Somos obrigados a digerir situações que se não fossem trágicas, seriam no mínimo cômicas. O digníssimo presidente do Senado teve a coragem de dizer que não percebeu o depósito mensal de quase quatro mil reais em sua conta (Referente a ajuda de custo para custear a moradia, haja vista que o senador é um homem humilde e de poucas posses, que não pode pagar por um pouso em Brasília).
O desconhecimento, aliás, é a desculpa mais usada por essa corja. Foi assim com o Maluf e também com Lula. “Eu não sabia”, essas três palavras mágicas, para o meu espanto, realmente funcionam, do contrário, Lula não estaria com um índice de aprovação popular tão grande.
Os europeus quando desembarcaram na América usaram espelhos e badulaques brilhosos para comprar os nativos e roubar suas riquezas. Hoje não é diferente, só que o engodo é travestido de benfeitorias assistencialistas como bolsa escola ou bolsa família, PAC e outras tantas outras manobras. Não sou contra a distribuição de renda obtida com os programas governamentais que citei, mas se o governo der somente o peixe e não ensinar a população a pescar, tudo isso será em vão.
Até quando permitiremos? Até quando ficaremos deitados em berço esplêndido?
Mande um e-mail para o senador em que você votou: nomedosenador@senador.gov.br
Cobre dele alguma atitude, mostre sua indignação! E para quem gosta tanto do Lula, faça o que ele disse pra fazer: tire o traseiro da cadeira e vá a luta!
Em tempo: O Deputado do Castelo foi absolvido, não é uma maravilha!
Humano, demasiadamente humano

Nem sempre o problema está naquilo que é dito, mas sim na forma como é transmitida a mensagem. Às vezes uma boa intenção ou mesmo a própria razão deixa de ser relevante se não controlamos nossa impulsividade em despejar, sobre quem quer que seja, nossas verdades e anseios, preocupações ou reclamações.
Penso que a melhor estratégia seja a capacidade de empatia, ou seja, de se colocar no lugar do outro. Nem sempre as outras pessoas fazem algo só para nos irritar ou contrariar. Se partirmos do pressuposto de que todos os “homens” são ruins (nesse caso a palavra homem está generalizando os homens e as mulheres, sejam eles quais forem), nossas atitudes serão de defesa diante dessa situação e na maioria das vezes a melhor defesa é o ataque. Seremos agressivos, exigentes, opressores, essa nossa atitude vai depender apenas de nossa posição e condição diante do indivíduo com o qual interagimos. Da mesma forma, se partirmos do pressuposto que todos os homens são bons, nossas atitudes tenderão à benevolência.
O grande desafio é o meio termo, ou melhor, a empatia. Será que naquela determinada situação não seria melhor agir assim, ou assado, como eu gostaria de ser tratado? Como eu gostaria de ser avaliado ou julgado?
Bom senso aliado a um pouco de talento para relações humanas é a receita do sucesso. Eu procuro agir sempre assim, embora não consiga sempre, mas de uma forma geral, entendo que as pessoas devem ser tratadas de forma diferente. Já que somos pessoas diferentes, merecemos tratamentos diferentes. Quem merece ser tratado com mais liberdade ou flexibilidade, que seja assim tratado, já quem por ventura exigir de nós um pouco mais de firmeza, que assim seja tratado.
Indiferente da estratégia ou mensagem escolhida para a comunicação, o mais importante a meu ver é o talento de saber como transmiti-la. Lembro de uma estória que ouvi faz algum tempo, de dois sábios que receberam a missão de interpretar o sonho de um rei. O primeiro, após ouvir a narração do rei, dispara sem hesitação que toda sua família morreria, irado, o rei o condenou à morte. Já o segundo, mesmo sem saber o destino de seu antecessor, disse ao rei que ele era um homem abençoado e que viveria, com certeza, mais tempo do que os seus.
Os dois disseram a mesma coisa, mas o segundo teve a sensibilidade de transmitir a mensagem de uma forma mais eufêmica. Essa talvez seja a maior qualidade de um bom gestor.
domingo, 3 de maio de 2009
A vida imita a arte (ou será o contrário)...
Esse filme está atual, em tempos de gripe suína todo cuidado é pouco. Confesso que depois de assisti-lo senti meus olhos arderem... rsrs... Foi como depois de ver “Epidemia”, senti asco em tocar o controle remoto, pelo menos por poucos minutos.
Tenho muito medo de que o fim do mundo esteja mais próximo do que pensamos... Não o fim apocalíptico, mas sim o fim do mundo que conhecemos, da sociedade em que vivemos. A qualquer hora uma epidemia, um novo vírus qualquer pode dar cabo da humanidade, ou de boa parte dela. Fato é que estamos muito vulneráveis. Há algumas décadas podia-se ver a lenta expansão de uma doença, vivíamos na era das epidemias, hoje, o assunto é um pouco mais sério, vivemos em uma constante ameaça de pandemia!
Se antes um vírus levava meses, quiçá anos para infectar um grande número de pessoas, agora ele anda de avião! Um espirro em Xangai causa gripe em Juiz de Fora mais rápido do que a peste negra levou pra infectar toda Europa.
Voltando no filme “Epidemia”, os mocinhos descobrem a cura do malfadado vírus rapidinho... mas na vida real nem sempre é assim, que o diga as pessoas que enfrentam a AIDS há tanto tempo... E assim vamos vivendo, sempre à um passo do último passo.
Mas penso ser um bom momento para a humanidade pensar um pouquinho também. Volto no filme Ensaio Sobre a Cegueira: somos mais do que podemos ser individualmente! Devemos nos unir em prol de um mundo melhor, onde as diferenças não nos segreguem. Hoje muitos ainda se preocupam com questões que não deveriam nem mesmo existir, como preconceito de raça, de cor, diferenças sociais e econômicas... Se preocupam não para extingui-las, mas para alimentá-las.
Já passou da hora das pessoas se tocarem que estamos no mesmo barco: negros, brancos, índios, asiáticos, católicos, mulçumanos, homens e mulheres. O fim pode estar próximo, cabe a nós, seres humanos racionais, inteligentes, donos do mundo, fazermos desse um bom lugar para se viver. Um lugar onde a fraternidade possa salvar mais vidas do que a intolerância possa levar.
Diante disso tudo, só nos resta rezar.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Quem quer ser um milionário?
Sou contra estereótipos. Aquela velha história de retratar todo Inglês como certinho (leia-se também “quadrado”), o francês como cozinheiro, o russo como frio e alcoólatra e o brasileiro como sambista, jogador de futebol e morador de uma floresta. Somos bombardeados por essas imagens o tempo todo, principalmente através do cinema e da televisão, dessa forma, construímos e ajudamos a fortalecer esses estereótipos.
Eu nunca fui à Índia. Na verdade, este país nunca entrou em minha lista de “lugares a visitar”. Nada contra, mas pouco à favor, entendem?
Imagino que se no Brasil existe muita injustiça e desigualdade social, lá deve haver um abismo, praticamente intransponível, separando as castas ou classes sociais, pelo menos foi isso que aprendi na escola. Talvez esse seja o clichê mais forte e que identifica esse país, pelo menos para mim. Um lugar de belezas ímpares, onde convivem a riqueza e a pobreza. Não a pobreza com a qual estamos acostumados, mas sim a miserabilidade, a completa falta das condições mínimas de saneamento, habitação, entre outros fatores condizentes à sobrevivência humana.
Como disse anteriormente, nunca fui à Índia, dessa forma, sinto-me incapaz de tecer uma opinião isenta e coerente dessa situação, mas tento fundamentá-la com fatos que são noticiados nos jornais e revistas, bem como nos foi ensinado nos livros de história e geografia.
A dualidade é bem clara quando analisamos as duas perspectivas que nos são apresentadas na atualidade: uma são os filmes e novelas que mostram uma Índia “rica” e emergente, com uma cultura belíssima e vestes multicoloridas, festas opulentas e iguarias apetitosas, a outra, o retrato de um país onde a grande maioria da população beira à miséria, com crianças sendo exploradas sexual e financeiramente, sendo usadas como mendigos junto aos turistas estrangeiros. Essa segunda perspectiva pode ser vista no filme “Quem quer ser um milionário” (Slumdog Millionaire - 2008), o grande vencedor da 81ª edição do Oscar.
A realidade é muito difícil de ser comprimida nas poucas horas de um filme. Como não dizer que “Cidade dos Deus” ou “Tropa de Elite” não são representações bem próximas da realidade brasileira? Contudo, o Brasil não é só aquilo, não se resume em favelas e narcotráfico.
Retratar um país sem o mínimo de responsabilidade, é contribuir com a construção de estereótipos e mentiras a respeito daquele lugar. Quem assistiu aos filmes “Feitiço do Rio” e “Turistas”, sabe bem o que estou querendo dizer. No primeiro, a imagem de um Rio de Janeiro aonde todas as mulheres vão à praia de topless e com seus “macacos de estimação”, no segundo, o retrato de um país xenófobo, violento e onde órgãos humanos são roubados de turistas indefesos.
Enquanto a “verdade” não freqüentar os cinemas, teremos que nos munir de muito senso crítico para não aceitarmos facilmente as fantasias dos roteiristas de Hollywood.
Quanto ao filme “Quem quer ser um milionário”, vale a pena assistir, mereceu cada Oscar que ganhou.
Em tempo:
Eu hoje, 14 de junho de 2009, li no blog da Jessie um post muito legal sobre o assunto, vale conferir.(Mineira sem freio)
domingo, 21 de setembro de 2008
Bobeira tem limite! Basta!
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Escorregar de novo não!
Eu estou muito desconfortável com a escolha por um candidato nessa próxima eleição. Duas coisas me chamaram a atenção: a falta de bons nomes e também o discurso continuista do candidato da situação.
Incomoda-me muito ficar ouvindo todos os dias frases como “o que é bom tem que continuar” ou “em time que está ganhando, não se mexe”. Foi com esse tipo de discurso que o atual prefeito venceu a eleição passada: “não deixe essa ambulância parar”, em uma referência às ambulâncias do SAMU que, de acordo com o outrora candidato, parariam de atender à população se o candidato do PSDB ganhasse. Em minha opinião isso foi puro terrorismo, uma argumentação vazia e barata, mas que surtiu efeito na população.
Até outro dia, quase ninguém conhecia o Sr. Márcio Lacerda, candidato da “aliança” entre o PT e o PSDB, mas depois que a lavagem cerebral iniciou, com as propagandas no rádio e na televisão, suas intenções de voto passaram de oito para quarenta pontos percentuais (Fonte: pesquisa IBOP veiculada pela Rede Globo).
Não estou fazendo nenhum juízo desse ou daquele candidato, mas externando minha preocupação de que o povo não reflete sobre as propostas dos candidatos e sim é levado por falácias e pesquisas eleitorais. Isso tudo me lembra a eleição presidencial em que o Sr. Fernando Collor foi de ilustre desconhecido à salvador da pátria por meio de ações de marketing e lobby de grandes empresários.
É como naquela piada em que o português cai ao escorregar em uma casca de banana e ao ver outra à frente pensa: “lá vou eu escorregar de novo”. Esse é o meu grande medo! Está sendo construído diante dos nossos inocentes olhos um enorme palanque para as próximas eleições presidenciais. A cúpula do PT vem a cada dia, promovendo a Ministra da Casa Civil, Sra. Dilma Rousseff, através de ações que, a meu ver, são puramente eleitoreiras, como a banalização e exacerbação do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento e da exploração do petróleo do pré-sal, bom, isso já é assunto para um novo devaneio. Enquanto isso fica uma prece: que o povo brasileiro acorde e se torne mais crítico ao fazer suas escolhas.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Yes, nos temos Judô!

Muito se tem comentado nos últimos dias a respeito do Judô brasileiro. Depois das últimas medalhas na olimpíada de Beijing, esse nobre esporte japonês é o que mais trouxe medalhas para o Brasil, ultrapassando o iatismo. Isso se explica por três motivos básicos. Primeiro, podemos dizer que o judô é um esporte democrático. Ao contrário da grande maioria dos esportes, qualquer um pode ser judoca, baixos, altos, gordos, magros, homens, mulheres, crianças, idosos, todos têm oportunidade de competir, basta ter a vontade e a disciplina tão necessárias à prática de qualquer esporte. Para se praticar basquete e vôlei, além de um ótimo preparo físico, é condição sine qua non que o sujeito seja alto, o que exclui boa parte da população brasileira, cuja altura média é 170 centímetros. O atletismo é um pouco mais popular, mas é, assim como a ginástica, excludente no tocante ao preparo físico exigido do individuo e também à sua idade. Segundo, o judô é um esporte acessível à realidade financeira da população brasileira. Ao contrário do iatismo que é altamente elitista, o judô pode ser praticado com o mínimo de investimento, basta alguns colchões (tatame) e um kimono pra se fazer a festa. Terceiro, o círculo virtuoso iniciado pelo judoca Aurélio Miguel em Seul (1988) que com sua medalha de ouro, chamou a atenção para o esporte. Hoje é muito comum que os pais direcionem seus filhos para o judô, se meninos ou balé se meninas. Essa atenção para o esporte motiva as novas gerações. É muito mais fácil um pai atender ao pedido de um filho quando ele pede para “colocá-lo” no judô do que se ele pedisse um barco para aprender iatismo. O judô é um esporte relativamente novo, ao contrário do que a maioria pensa, ele tem apenas 120 anos de vida. Foi criado no Japão por um camarada chamado Kanoo Jigoroo. O seu princípio básico é o domínio da força bruta através da maleabilidade, daí o seu nome, “juu” maleável, flexível e “do” caminho. Como toda “arte marcial”, o judô trabalha a disciplina, o respeito ao próximo e principalmente a consciência de que a “força” não é o caminho, mas sim a flexibilidade. Agora, apesar de ser um esporte relativamente barato, assim como todos os outros esportes, o judô necessita de patrocínino (investimento), se o assunto for competição em alto nível. Só assim o Brasil poderá brigar pelos primeiros lugares de forma definitiva. O esporte vai muito além de medalhas e premiações, ele é saúde e oportunidade para a mudança de vida de muitas pessoas.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Por um mundo melhor.

Estamos na era do conceito, no momento em que os homens usam seus conhecimentos para formatar idéias, construir imagens, gerar inovações e usar sua criatividade de uma forma nunca antes vista na face desse planeta azul. A internet deixou de ser novidade e passou a representar algo corriqueiro na vida das pessoas. Quem imaginaria a vinte anos atrás que teríamos acesso ao mundo, bem na palma de nossas mãos? Jatos cada vez maiores cortam os céus levando cada vez mais pessoas de um lado ao outro do globo. Os limites geofísicos deixaram de ser empecilho ao desenvolvimento da sociedade. Comunicar-se nunca foi tão fácil. Celulares, e-mails, MSN, Orkut, blogs, SMS e tantas outras facilidades, aproximam cada vez mais as pessoas. Será? Talvez a comunicação seja facilitada, mas a um custo muito alto: distanciar cada vez mais as pessoas. É tão mais fácil mandar um e-mail ou um SMS que muitas vezes decidimo-nos manter distância de nossos familiares e amigos. Mais do que isso, é cada vez maior o número de pessoas que se conhecem apenas virtualmente. Se as coisas continuarem a evoluir nesse ritmo, em pouco tempo poderemos ter mais amigos virtuais do que reais. Pode parecer um exagero, mas em menos de cem anos o homem passou da completa negação da possibilidade de voar à exploração espacial, em menos de trinta, passamos da maldição da infertilidade à manipulação genética da vida. Há quinze anos, se dois amigos quisessem jogar vídeo game juntos, um teria que ir à casa do outro. Hoje, podemos jogar on-line com alguém que mora do outro lado do mundo, sem sequer precisar falar a mesma língua. Abastecer um carro com dois combustíveis diferentes há apenas cinco anos atrás poderia ser sinônimo de desespero ou de loucura, entretanto hoje é possível usar até três tipos diferentes. Sendo assim, é difícil dizer qual será o futuro das relações social nos próximos anos. Fato é que a mesma tecnologia que nos “aproxima”, nos afasta de uma forma nunca antes vista. Torna impessoal o que antes era coisa de pele. Finalizamos sempre nossas mensagens com abraços e beijos, mas cada vez menos rostos beijamos, corpos abraçamos. Reduzimos o contato com o próximo na mesma proporção em que aumentamos a nossa indiferença às mazelas do mundo. Na década de quarenta, o mundo acompanhava atento e perplexo as notícias da guerra na Europa, essas chocavam, emocionavam e mobilizavam todos a rezar pela paz no mundo. Hoje, durante o jantar, acompanhamos guerras em tempo real na TV e não nos choca nada o fato de que muitos morreram nesse ou naquele bombardeio. A banalização da violência, causada provavelmente pela enxurrada de notícias sobre mortes e crimes, torna-nos cada vez mais indiferentes. Temos o mundo em nossas mãos e não sabemos o que fazer com ele. Mobilizamos-nos contra a fome na África e nos esquecemos que ela também mata nossos vizinhos. Bom, então tudo isso é culpa da tecnologia? Não! A culpa é nossa! Os fuzis, mísseis e tanques não começaram a guerra na Ossétia. Foram as pessoas, homens e mulheres. Seres humanos. Sendo assim, a responsabilidade é nossa. E o mundo não pode se esconder atrás da indiferença e deixar que russos e georgianos se matem como se em uma partida de vídeo game estivessem. Não podemos nos calar diante das injustiças. É impraticável que em plena era do conceito, em pleno século XXI, em meio a tanta facilidade de comunicação e possibilidades de entendimento, que o homem não tenha aprendido a resolver suas diferenças de forma diplomática. É imperdoável que deixemos de lado a oportunidade que a tecnologia nos dá de unirmo-nos em prol do crescimento da humanidade. É um crime que deixemos de lado a oportunidade que Deus nos dá de chegar até o próximo, esteja ele onde estiver, para levar o amor, o alento e a boa nova que Cristo nos trouxe. É nosso dever moral usarmos essa tecnologia a serviço do bem, da verdade e da justiça. Aproximando-nos e contribuindo para sermos realmente irmãos nessa aldeia global.
terça-feira, 29 de julho de 2008
As minhas putas tristes

Finalmente, depois de quase um ano, consegui terminar de ler “memórias de minhas putas tristes” de Gabriel García Márquez. Não que o livro seja ruim, pelo contrário, é um ótimo livro. Acontece que nos últimos dois anos, minha rotina tem me afastado dos pequenos prazeres, sendo a leitura um deles. Na verdade tenho lido muito, contudo, muito material técnico, que tem alimentado meu vício literário, mas não suprido minha ânsia por boas obras de ficção. Tanto que até ontem eu estava lendo, simultaneamente, três livros. Bom, o que gostaria mesmo de dizer é que finalmente consegui um tempinho para terminar o livro do García e que esse livro muito me fez pensar.
Para quem não conhece o título, trata-se de um belo romance, onde o protagonista, um velho de noventa anos, se envolve com uma adolescente. Tal envolvimento se deu em razão de seu aniversário. Ao entrar em sua nona década de vida ele resolveu dar-se um presente: uma noite com uma jovem e virgem prostituta. O interessante da relação dos dois é que nunca houve sexo, na verdade a jovem sequer o via, ela apenas dormia e ele a velava. Um autêntico caso de amor platônico.
Tal relação, que beirava a inocência, era repleta de percalços e reviravoltas, no bom e velho estilo de García. Senti-me o convidado de honra de uma viagem no tempo e no espaço. Mais do que isso, senti-me um confessor ou amigo intimo de uma personagem complexa e por isso mesmo, demasiadamente humana. Isso tudo me levou a pensar na minha vida, nas minhas aspirações e nos meus objetivos pessoais. Não no tocante à minha vida amorosa, mas sim no que diz respeito ao rumo que quero dar à minha existência. Na verdade já faz um tempinho que penso a cerca desse assunto, mas esse livro me lembrou de duas máximas das quais, infelizmente, não podemos escapar: A primeira é que a vida é curta, devemos vivê-la intensamente enquanto ainda resta alguma e a segunda é que, apesar de nunca ser tarde para recomeçar, o passar do tempo torna o recomeço cada vez mais difícil. Confesso que fiquei com um pouco de medo diante dessa realidade inequívoca. Não temo em dizer isso. Sou humano, sou passível de erros e sei que já não sou uma criança, já acumulei mais primaveras do que gostaria. O que tiro disso tudo é que o tempo é precioso. Assim, que eu viva mais e relute menos, que eu aja mais pense menos, que eu escreva mais e assista menos televisão, enfim, que eu faça mais dessas coisas que sempre decidimos fazer a partir ano novo e que esquecemos bem antes do carnaval.
domingo, 20 de julho de 2008
Tabacaria

Sou um otimista. Gosto de ver o lado bom das coisas, fatos e pessoas. Acredito que tudo tem um propósito, até mesmo as coisas ruins que acontecem conosco. Contraditoriamente, penso ser esse um de meus grandes defeitos. Fernando Pessoa, um de meus poetas prediletos, disse certa vez em um de seus célebres poemas:
“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”
Como bom otimista, não vejo nessas palavras nada de niilista, muito antes pelo contrario (como sempre diz o querido Pe. Marco Túlio), penso que esses versos são a mais simplória tradução do que significa ser humano.
Reconhecer-se ‘nada’ é aceitar que diante de tudo, não somos muito, somos pó de estrelas. Do pó viemos e para ele retornaremos. Nossa existência é insignificante. Quando eu morrer, o sol continuará seu curso de nascente à poente, a terra ao redor dele, os pássaros continuarão a cantar, os carros a andar, as pessoas a viver. Nada irá mudar. Talvez ninguém se lembre de mim daqui a dez anos. Talvez apenas meia dúzia de pessoas se lembre de quem eu fui ou das coisas que fiz. E é aí que vem a parte boa da história: fora isso, “tenho em mim todos os sonhos do mundo”. Pensando assim, sonhando com tudo que poderei realizar, principalmente sabendo e querendo não ser nada, volto-me para o outro. Deixo de ser nada para mim e passo a ser tudo na vida de outra pessoa, daquela meia dúzia que poderá lembrar-se de mim anos depois de minha partida. Isso é ser humano. Ser falível e mortal, mas capaz de realizar feitos e obras incríveis. Capaz de salvar vidas numa proporção muito maior do que apenas gerá-las. Muitas vezes, gestos aparentemente simples como um sorriso podem mudar o dia de uma pessoa. Talvez alguém se lembre de mim por eu tê-lo escutado e não pelas coisas que eu tenha dito. Não sei ao certo os motivos que farão de mim algo importante na vida do outro. Tenho a certeza de que eu não sou nada, nunca serei nada, não devo e nem posso querer ser nada, mas que tenho sonhos e que quero muito realizá-los. Quem sabe assim, daqui a dez ou vinte anos, alguém possa se lembrar de mim e dizer: ele pode não ter sido nada para os outros, mas significou muito pra mim. Terá valido a pena.
O que fazer?

Descobri cedo o que muitos levam uma vida inteira pra perceber: não há nada mais eficaz para resolver um problema do que não se render a ele. Parece simples, mas não é tão óbvio para a maioria das pessoas. O homem se limita, se encerra sem ver que a solução nunca anda distante do problema. Talvez seja uma questão de ponto de vista. Às vezes é preciso mudar a posição, ver o problema de outro ângulo. E por que não pedir conselhos, estudar uma nova abordagem, pensar fora do quadrado? Ninguém entra em uma corrida acreditando que vai perder. Até o mais humilde dos corredores tem, nem que seja bem pequeno, um fio de esperança. Ele diz que não, que os adversários são melhores, que sua preparação não foi suficiente, mas lá no fundo, bem no fundo, ele tem esperança de ganhar. Caso contrário, por que ele deveria correr afinal? Da mesma forma, quando diante de nós há um problema, uma situação dificultosa pela qual precisamos passar, mesmo que tudo e todos digam que não somos capazes ou que não temos condições, lá no fundo, bem no fundo, deveríamos ter o mesmo fio de esperança que tem o corredor. Nessa hora o mais importante é entender que sempre há um caminho, mesmo que ele não seja aparente. Também vale a grande máxima: “o que não tem remédio, remediado está”. Os que ainda não entenderam isso, fazem como aqueles que não correm, reconhecem sua posição de desvantagem e simplesmente desistem. Penso que essa autolimitação é uma das maiores mazelas da humanidade. Por quê? Simples, limitando-se, o homem deixa de crescer, deixa de realizar, deixa de viver. Edison tentou mais de mil vezes fazer a lâmpada elétrica funcionar, diante dos mil fracassos e da zombaria dos críticos ele disse: “Eu não fracassei nenhuma vez, apenas descobri mil motivos diferentes que impedem as lâmpadas de funcionar”. Imagine se ele tivesse desistido? Edison não se limitou. Diante de um problema ele persistiu e venceu. Essa abordagem não serve apenas para descrever os grandes feitos. Em nossa vida cotidiana deixamos de realizar, crescer, viver, Et cetera, por não nos sentirmos capazes de resolver problemas simples. Quando no primário, o maior problema da grande maioria das pessoas era resolver contas de multiplicação ou divisão. Os que enfrentaram esse problema de frente hoje “tiram de letra” integrais e derivadas, mas os que se limitaram, munidos de uma desculpa como “não sou bom com números” ou “detesto matemática”, não conseguem sobreviver sem uma calculadora eletrônica. Quando eu estava “tirando” minha carteira de motorista, eu tinha muita dificuldade em fazer balizas. Achava que era a coisa mais difícil do mundo! Hoje, as faço sem nem tomar conhecimento, mecanicamente como ditar a tabuada. Não é que eu seja um exímio motorista, mas que os problemas em nossas vidas assumem diferentes proporções, de acordo com a importância e com a maneira com a qual lidamos com eles. Desistir diante de um problema é a pior maneira de solucioná-lo. É reconhecer que chegamos ao limite de nossa capacidade e que é mais fácil conviver com ele (uma solução medíocre) do que purgá-lo de vez.
terça-feira, 1 de julho de 2008
Muito além do Calypso...

Uma amiga, cansada de pedir-me o endereço eletrônico do blog, “jogou” no Google a frase “muito além da razão”. O resultado mais significativo foi uma música da banda Calypso com o mesmo nome. Não preciso nem dizer que fui alvo, injustamente, de chacotas e de estúrdias folganças por parte de minha “ex” amiga. Fato é que eu não sabia, até o fatídico momento, que existia tal ode à dor de cotovelo. Logo eu que repudio com veemência tal comportamento.
Após ler o bem intencionado conjunto de versos, eu cheguei a uma conclusão: o compositor foi felicíssimo ao escolher o nome da música. É realmente algo muito além da razão ou da compreensão humana, um sujeito que se dispõe a agir tal como o digníssimo protagonista da citada música. O mínimo que eu poderia fazer diante de tamanha coincidência é um pequeno comentário sobre essa obra prima do cancioneiro popular brasileiro. Os meus comentários seguem entre parênteses.
Muito além da razão
Coração tá em pedaços
Desde que você se foi (no mínimo o caboclo aprontou algo pra ser abandonado)
No vazio do meu quarto
Eu não sei o que é que eu faço
Com as lembranças de nó s dois (nota-se a latente obsessão)
(Até aqui tudo bem, um cara que deve ter feito besteira e foi abandonado pela namorada. Se não fosse a falta “do que fazer” do camarada, que não faz outra coisa a não ser ficar pensando na tal.)
Quando eu olho no espelho
Não me reconheço mais
E esses meus olhos vermelhos
Dessas noites sem dormir
Da falta que você me faz
(Vá lá, quem nunca sofreu por amor que atire a primeira pedra. Confesso que estou começando a sentir pena dele.)
Onde você está agora
Se eu pudesse imaginar (já dizia o velho ditado: mente vazia...)
Portugal ou Japão
Pra salvar meu coração
Eu iria te buscar (convenhamos, se o camarada tivesse dinheiro para ficar viajando para a Europa e para a Ásia... eu já ouvi muitos dizerem - não é minha opinião - que quem gosta de homem é homossexual, mulher gosta mesmo é de dinheiro, sei não... se bem que as mulheres retrucam: dizem que elas gostam de beleza interior - e os homens completam: por “beleza interior” leia-se fazendas, sítios e demais propriedades rurais – belas.)
Muito além do prazer
É o nosso amor (sem comentários)
Muito além da razão (concordo! Aliás, foi a única coisa sensata que o camarada disse até agora.)
Essa paixão
Solidão faz doer
Sou mais eu e você
Em um só coração
(blá, blá, blá,blá...)
Nunca é tarde demais
Pra recomeçar (é... até pode ser...)
Você tem que aprender
A perdoar (YES!!! Não falei que o cara tinha pisado no tomate!)
Se me der o prazer (Uai?! Ele não disse que o amor deles era muito mais do que o prazer?)
Vou mostrar pra você
Que ainda sei te amar
(Lindo! Eu, particularmente, acho que a tal moça deveria ir correndo! – para um lugar bem longe.)
Bom, brincadeiras à parte, o nome do blog não foi uma homenagem à música, nem à banda Calypso, na verdade, não tenho nada contra, bom, talvez algumas coisinhas, mas definitivamente eu não conhecia e respeito quem gosta. Assim, gostaria de deixar claro que foi uma brincadeira, afinal, só brincamos com aquilo ou com quem gostamos. (se bem que não sei se é o caso, mas...)
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Thre little birds

Uma das formas de se promover, ou melhor, de se ‘posicionar’ um produto, é a associação que se faz dele com uma determinada música. Exemplo disso é um comercial que está sendo veiculado nas últimas semanas em várias emissoras de televisão. Trata-se da peça publicitária do novo Palio Adventure, cujo tema musical é “Three little birds”. Essa música foi composta por Bob Marley e tornou-se um clássico do reggae. A idéia por trás do bem produzido comercial é associar os atributos fora de estrada do carro à mensagem da música que diz algo como: não se preocupe com nada, tudo dará certo. É como se dissessem que o tal carro não te deixará na mão, mesmo que você se embrenhe por caminhos de difícil transito. Tal feito só é possível em razão do sistema de tração do veículo que bloqueia o efeito do diferencial. Complicado? Coisas de mecânica que não vem ao caso agora. O que interessa mesmo é esse artifício que os publicitários usam para “vender” uma idéia. É óbvio que se sua intenção é “fazer uma trilha” ou participar de um rally, esse não será o carro mais recomendado. Trata-se de um carro com tração 4x2, ou seja, apenas nas rodas dianteiras, o que faz dele tão off road quanto qualquer outro carro de passeio, mas o que vale mesmo é o appeal romântico que instiga o cidadão comum a se sentir um aventureiro. É o estereótipo do britânico que anda sempre com um guarda chuva na mão, sendo levado às últimas conseqüências: se um dia você se distrair e for parar em uma selva remota, fique tranqüilo, seu carro é equipado com apetrechos que poderão te levar de volta para casa. Eu realmente gostei da propaganda e acho que é válido usar esse artifício para promover o carro, mas pensando bem, esse é um dos clássicos exemplos de que nossas decisões de compra estão ligadas aos nossos mais profundos desejos. A necessidade motiva a compra, mas os desejos a condicionam. A necessidade de lavar as roupas existe e motiva a compra de sabão em pó, contudo, o desejo de harmonia, paz, serenidade, felicidade, nos condiciona a comprar a marca que vende essa idéia. Já reparou nos comerciais de sabão em pó? Mostram uma dona de casa moderna, bem vestida, cabelos e maquiagem impecáveis, colocando as roupas para lavar e indo brincar com os filhos ou estar com o marido. Não compramos um produto, mas a idéia de que ele poderá nos tornar uma pessoa melhor do somos. Ilusão? Talvez, mas como seria chata a vida sem elas. E se eu pudesse dar um conselho, ele seria: “don’t worry about a thing, cause every little thing, gonna be all right”.
This is a great music!
segunda-feira, 9 de junho de 2008
O problema, é o tal do somente...

Quem não gosta de música? Até hoje nunca conheci ou ouvi falar de alguém que não goste de música. Ela está presente em todos os momentos de nossas vidas. Para toda e qualquer situação temos uma que sempre combina. Sem ela a vida não teria o brilho que tem. É a linguagem universal de que falava Descartes. É um elemento de reafirmação da cultura de um povo, grupo ou tribo. Atravessa as fronteiras sociais, geográficas, econômicas e morais de nossa sociedade. Prova maior disso é ver pelas ruas um jovem de classe alta, em seu carro importado, com o som no mais alto volume, entoando um “funk” cantado por outro jovem, de classe baixa, morador de um aglomerado. Contudo, sou da opinião de que existem maçãs podres nesse cesto. Quando o assunto é música, o caráter subjetivo do “gosto” é, infelizmente, promotor de espetáculos grotescos. Muitos chamam de música o que para mim são apenas grunhidos de nossa herança primata. Convenhamos, há de se fazer justiça em se separar o joio do trigo, em se fazer a distinção entre a voz que ecoa de comunidades carentes, como um grito de protesto contra a repressão da sociedade capitalista e os grunhidos erotizados de uma pseudo musicalidade, incentivada e divulgada massivamente por grandes gravadoras, responsáveis pela banalização desse nosso bem tão precioso que é a música. Não sou contra quem escuta e gosta de “créus” e “pocotós”, mas fico imensamente preocupado com as crianças que desde pequeninas vem sendo bombardeadas com esses hits tão questionáveis. O problema não é ouvir essa ou aquela música, o problema é ouvir somente essa ou aquela música. Essa juventude não sabe quem foi Carlos Lyra, nunca ouviu falar em Francis Hime. Acha que Vinícius de Moraes é coisa de gente velha, ultrapassada e que Noel Rosa é personagem de filme, Pachelbel, então, deve ser nome de rua ou de doença. É triste ver a mulher que lutou tanto pelo direito à igualdade, achar o máximo ser chamada de “cachorra” ou “ordinária”. É mais triste ainda imaginar que somos nós que estamos cavando o túmulo onde serão enterrados de vez os valores de nossa sociedade, principalmente quando viramos as costas para essa realidade que bate à nossa porta. Quando deixamos de incutir em nossas crianças os princípios éticos e morais que regem o bem viver e o bem estar da sociedade. Devemos expor nossas crianças à boa música, à musica de qualidade e deixar que o mundo se encarregue de torná-la eclética, o problema é o “tal do somente”.
domingo, 18 de maio de 2008
Manias

Jack Nicholson, no divertidíssimo filme “Melhor é impossível”, vive o papel de um portador de TOC (transtorno obsessivo compulsivo). Eu não sou psicólogo, mas confesso que li trechos de alguns livros que tratam do assunto, para não falar sem o conhecimento da causa. Assim, simplificando, Nicholson representava o papel de uma pessoa cheia de manias. Até aí tudo bem, afinal, quem não as tem? Mas no caso dele, tais manias eram excessivas. Atividades aparentemente desconexas, muitas vezes executadas de forma repetitiva, fazem parte do mundo dessas pessoas. Saltar o rejunte de calçadas, desvirar todos os chinelos que encontrarem pela frente, arrumar quadros nas paredes, tocar com a ponta dos dedos os postes pela rua, ordenar tudo que está ao seu alcance, numérica ou alfabeticamente, parece restabelecer, para esses indivíduos, a ordem natural das coisas. Se você parar e começar a reparar, verá que está cercado de pessoas que tem as mais inusitadas manias, vai até se reconhecer como possuidor de várias delas. E olha que não estou falando daquelas comuns, que todo mundo tem , como lamber a tampa do pote de iogurte ou rabiscar enquanto fala ao telefone, mas daquelas outras, as esquisitas, ou melhor, diferentes. Conheço uma pessoa que ordena as notas na carteira, que se bater com um cotovelo em algum lugar, volta e bate o outro. Conheço outra que tem mania de harmonizar as coisas: se ela vê três lápis sobre uma mesa, ela os posiciona de forma eqüidistante, centralizada ou sabe-se lá que outro critério essa figura possa utilizar. Tem gente que tem mania de limpeza ou organização, tem outros que têm mania roer unha, tem gente que tem uma ou outra, existem outros que as tem em demasia. Eu me considero um “meio termo”, particularmente penso que estão mais para preferências do que para manias. Por exemplo, eu não como em pratos azuis. Não é coisa de atleticano não, é verdade mesmo, não me sinto bem comendo naqueles pratos de vidro transparente azuis. Tenho mania de estralar o pescoço. Isso incomoda muita gente. Outra boa é a de tocar no câmbio do carro enquanto estou dirigindo. Quando vê, um amigo meu sempre me pergunta: “a alavanca ainda está ai?”, mas o que posso fazer... é mania. Uma que adquiri faz pouco tempo, mania de sabonete. Gosto de ter à mão vários sabonetes diferentes ao tomar banho. Quando vou ao supermercado eu sempre diversifico, comprando vários tipos, com diversos aromas. Até que é uma mania legal, pelo menos cheirosa. Mania de dormir sempre na mesma posição. Essa é uma que, dependendo do cansaço, não me incomoda tanto. Tem uma que estou tentando largar, mania de conferir as portas do carro. Por mais que eu saiba que as portas (todas as quatro) estão fechadas, eu sempre tenho que conferir, uma a uma, e aproveito pra conferir os vidros também. Meu último carro possuía aquele aparelhinho que fecha os vidros e trava as portas quando o alarme era acionado. Quem disse que adiantava, mesmo ouvindo o barulhinho da trava e vendo os vidros subirem, lá ia eu conferir todas as portas. Estou fazendo progressos, hoje já não tenho dificuldades em somente olhar pelo vidro se as travas baixaram e só conferir a porta do motorista. Tenho mania de controle remoto. Ficar mudando a televisão de canal. Essa eu acho que todo homem tem, pelo menos é o que as mulheres dizem. Na verdade, quando eu vejo algum programa que me agrada, eu paro. Na verdade, nossas manias falam muito de nós mesmos, fazem parte da nossa personalidade. O que não podemos deixar acontecer é dar a chance delas nos controlarem. Enquanto forem só manias tudo bem, é divertido, lúdico, mas quando elas passarem a ser excessivas, limitadoras e agoniantes, devem ser abandonadas ou tratadas.
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Inimigos em potencial

Segundo o dicionário Aurélio, informação é o ato de se informar ou gerar dados sobre algo ou alguma coisa, significa também conhecimento ou participação. Resumindo, pode-se dizer que a informação seja um dado sobre alguma coisa que resulte em conhecimento ou aprendizado.
Fato é que existem pessoas que são “reféns da informação”. Elas são personificações de todas as disfunções da burocracia. Quando ouvimos o termo ‘burocracia’, pensamos logo em algo ruim, trabalhoso, moroso, o que não é verdade! Weber quando teorizou a respeito do tema, nos mostrou uma estrutura lógica e funcional. Um conjunto de preceitos regidos pela hierarquia, divisões de funções e responsabilidades, regras, procedimentos. Tal estrutura é saudável para qualquer organização e até mesmo para a vida pessoal de qualquer indivíduo. São com as disfunções da burocracia que devemos nos preocupar. É quando há um excesso de regras e procedimentos. Quando os indivíduos ficam engessados pelas próprias leis que eles criaram. As pessoas aprenderam a chamar de burocracia as disfunções desse sistema. O que quero dizer é que um pouquinho de burocracia é benéfico, mas existem pessoas que exageram. Elas vivem pelas informações, respiram os controles obsessivos e querem que todos a sua volta façam o mesmo. São aqueles indivíduos que colecionam uma enormidade de dados, fatos, números a respeito de algo e que nunca irão usar. Não é uma questão de prudência e sim de redundância e falta de objetividade. Elas se escondem atrás de uma plácida fachada de organização justamente para demonstrar uma incapacidade nata de lidar com os fatos da vida. É como se vivessem na iminência de um embate ou de um confronto. É como se necessitassem provar a todo o momento para as outras pessoas que estão sempre certos e que nunca erram. Fariam isso com requinte, informariam o minuto e o segundo em que o fato aconteceu, qual a roupa que a pessoa estava usando, a placa do carro, número de identidade, se estava chovendo ou fazendo sol. Não estou fazendo uma apologia à bagunça ou à falta de ordem, estou apenas protestando contra algumas pessoas que dificultam a nossa vida, com o pretexto de que “vai ser melhor assim”.
Sinto pena dessas pessoas, a vida delas deve ser muito ruim, devem ver o mundo como um campo de batalha e as pessoas como inimigas em potencial.
Quem é o animal dessa história?

Eu fico triste ao constatar o quanto nós, seres humanos dotados de inteligência superior, somos mal educados. Hoje pela manhã, quando eu estava chegando ao trabalho, um cão estava atravessando uma avenida. O transito estava bem tranqüilo. Eu o vi e diminuí a velocidade do meu carro. Ele parou no meio da avenida e esperou eu passar. Temendo pela vida do animal e como não haviam carros vindo atrás de mim, parei para deixá-lo passar. “Entendendo” que eu estava dando passagem a ele, rapidamente atravessou a avenida. Cachorrinho inteligente não é mesmo? Bem, na verdade não é não. Ele apenas usou seu instinto: pressentiu o perigo, parou, como viu que não havia problema em passar ele rapidamente atravessou a rua, fugindo daquele lugar onde ele poderia se machucar. Isso me levou a pensar, digo, devanear... Alguns dias atrás eu estava no centro de Belo Horizonte parado em um cruzamento. Esse era demarcado com faixa e sinal de pedestres. O semáforo estava vermelho para mim e verde para os transeuntes. Eis que “der repente, não mais que de repente”, um rapaz inicia a travessia, já com o sinal de pedestres piscando em vermelho, avisando que estava prestes a fechar. O sinal abriu para mim. Eu mantive o carro parado, esperando que ele atravessasse. O rapaz viu que eu estava aguardando sua travessia e em um gesto de deboche, olhou para mim, diminuiu o rítimo das passadas e continuou calmamente. Era como se ele falasse: estou na faixa de pedestres, a preferência é minha, passe por cima se quiser! É óbvio que eu não queria que ele corresse, arriscando até tropeçar ou algo assim, não, eu esperava apenas que ele andasse normalmente, mas o que ele fez foi um ato descarado de desafio, de enfrentamento, de desrespeito ao próximo. Assim como ele, vários de nós esquecem a máxima que diz: “meu direito inicia onde termina o do meu próximo”. Deveríamos agir com mais educação, afinal, vivemos em sociedade, necessitamos uns dos outros a todo o momento! Basta reparar um pouco o nosso comportamento para ver o quanto somos mal educados, como necessitamos melhorar. Infelizmente a “lei de Gérson” prevalece na maioria dos casos. Sentimo-nos obrigados a levar vantagem em tudo. Seja impondo nossa soberana vontade aos que nos rodeiam ou colocando-nos acima de tudo e de todos. Eu poderia citar vários outros exemplos como: motoristas que estacionam ocupando duas vagas em uma rua ou estacionamento, pessoas que não dão o lugar a idosos, gestantes ou deficientes físicos em transporte coletivo, motoqueiros que fazem das vias urbanas um palco para um espetáculo grotesco repleto de imprudências. Diante desses fatos eu me lembro do pobre cão que, embora não seja dotado de inteligência, mas guiado pelo seu instinto, faz o que muitos seres humanos deixam de fazer. Daí eu me pergunto: quem é o animal dessa história?
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Da verdade e de outras coisas também...

O dia 1º de Abril é tradicionalmente um dia em que a verdade dá lugar ao logro, tanto que é conhecido,internacionalmente, como o “dia da mentira”, ou April Fool's Day , que traduzindo, seria algo como “dia dos tolos”. Muitas são as histórias que justificam essa tradição. A mais célebre delas conta que na idade média, o rei de França decretou que o ano começaria no dia 1º de Janeiro. Acontece que antes da tal mudança, o início do ano era comemorado no primeiro dia de Abril. Formou-se então a confusão. As pessoas estavam acostumadas a comemorar o ano novo em Abril, daí o primeiro dia desse mês continuou sendo festivo, comemoravam o inicio do ano, mas de mentirinha.
“Comemorar” o dia da mentira deveria significar que, nos outros, celebramos a verdade, contudo, não é o que temos visto hoje em dia. Valores como honestidade, justiça, ética, integridade e verdade parecem não estar na moda. E o exemplo vem de cima! Os escândalos deflagrados nos últimos anos que o digam. É mensalão para cá, cartões corporativos para lá. A corrupção está disseminada em todos os níveis do poder público: Dos funcionários de alto escalão até os responsáveis pelo cafezinho. Não é um mal partidário, ou seja, não está ligado à uma legenda, mas sim à uma sensação de impunidade que é crescente.
O que podemos fazer? Cobrar, votar melhor? Talvez. Mas e se passássemos a ser pessoas éticas? Muitas vezes o indivíduo que exige dos governantes uma postura mais ética, é também aquela que compra sem nota fiscal, fura filas, cola em provas, “pirateia” musicas e filmes na internet, entre outros comportamentos que são igualmente questionáveis. É fácil cobrar, difícil é fazê-lo com a consciência limpa.
Deixemos o dia da mentira para trás, e comecemos a celebrar os dias da verdade. Utopia? Pode até ser, mas se não iniciar em alguém, nunca vai acontecer. E por que esse “alguém” não pode ser você ou eu? “Se os bons se calam, os maus se espalham”. Pense nisso!
sábado, 29 de março de 2008
Batidas na porta da frente...

O tempo voa! Todos nós já ouvimos essa frase pelo menos uma vez em algum momento de nossas vidas. Mas já parou para pensar que com o passar dos anos ela vai fazendo cada vez mais sentido?
Lembro-me dos tempos de colégio. No primário, um ano era tempo demais! Dava para conhecer todos os alunos da sala, na verdade, acho que dava para conhecer inclusive os das outras séries e salas. Dava para fazer amigos, brigar, fazer as pazes, voltar a ser amigo, ir à casa de todo mundo e ainda sobrava tempo para estudar, e como sobrava. Um bimestre era uma eternidade. À medida que as primaveras vão sendo acumuladas em nossas vidas, o tempo, esse vilão impiedoso, começa a passar mais rápido. No colégio eu me lembro de conhecer apenas o pessoal da minha sala, e mais alguns gatos pingados de outras séries. E hoje, existem colegas de faculdade com os quais nunca conversei.
No trabalho não é diferente. Tem dias que quando percebo, já passou da hora de ir embora. As oito horas de labuta diárias já não são suficientes para resolver todos as demandas.
O fato é que cada vez mais, estamos nos entregando à correria do dia-a-dia. É a tal “corrida de ratos” que os escritores americanos adoram mencionar em seus livros de auto-ajuda. E quando isso irá parar? Simplesmente não vai. A tendência agora é piorar, principalmente com as inovações tecnológicas que, ao invés de nos ajudar a resolver os problemas em menos tempo, tem nos roubado horas e minutos preciosos de nossas vidas, para mais problemas: as minhas últimas férias não foram as primeiras em que consultar os e-mails corporativos passaram a fazer parte da rotina.
Não penso que jogar fora celulares e palmtops seja a solução. O caminho é administrar melhor os ponteiros do relógio, mudando o foco de quantidade para qualidade de tempo. Como?
Reservando parte do nosso dia para as coisas que realmente importam: a família, os amigos e nós mesmos. Parando de reclamar e partindo para a ação. Perdemos momentos preciosos lamuriando por ter que fazer isso ou aquilo ao invés de simplesmente fazer. Planejando o dia, a semana, o mês e, quem sabe até, o ano. Estabelecendo prioridades. Normalmente deixamos o mais importante de lado para nos entregarmos ao mais urgente. E o que é realmente urgente afinal?
Essas são algumas atitudes que podemos adotar para driblar esse que é o recurso mais importante e escasso que possuímos. Fácil? Não, nem um pouco, mas quem disse que a vida é fácil?
