
Eu andava por um belo jardim. Os pássaros pareciam fazer um concerto, a alegre melodia embalava meu caminhar. Eu estava sozinho. Andava a passos largos, mas o caminho parecia não ter fim. Perto de mim havia um pequeno lago de águas transparentes. O dia estava claro, o céu azul e com poucas nuvens. Tudo parecia perfeito, mas eu não me sentia bem naquele lugar. Era como se algo estivesse faltando. Era como se um vazio insistente não se deixasse preencher pela luz do dia, nem pela leve brisa ou mesmo pelo som harmonioso da cantoria das aves. Uma amarga tristeza tomava conta do meu coração.
Acordei e percebi que estava sonhando, mas a vida sem o amor é bem semelhante a esse triste sonho. Uma multidão passa a não fazer companhia. A mais bela sinfonia não toca a alma. O calor do sol não aquece os ossos. Não há perfeição, não há alegria.
O amor é a própria essência de Deus, Ele é o amor. Mas há diversas faces para esse mesmo sentimento. Há o amor fraternal, o materno, o amor pela pátria, há o amor ao próximo, à vida, o amor à camisa. Mas uma dessas facetas é visceral, sente-se no âmago do nosso ser, sente-se na pele, na química de nossos corpos. É uma explosão de vida, é um grito, é uma sensação, uma idéia, beira a loucura. É o amor de um homem por uma mulher.
Agora que acordei e vi que tudo não passou de um sonho, um sentimento ainda se faz presente: o vazio.
